Quarta-feira, Junho 01, 2005

Marilyn Monroe (1926-1962)













Marilyn nasceu a 1 de Junho de 1926. Uma pequena lembrança...


Domingo, Abril 24, 2005

25 de ABRIL




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                Era uma vez um país
                onde entre o mar e a guerra
                vivia o mais infeliz
                dos povos à beira-terra.


                Onde entre vinhas sobredos
                vales socalcos searas
                serras atalhos veredas
                lezírias e praias claras
                um povo se debruçava
                como um vime de tristeza
                sobre um rio onde mirava
                a sua própria pobreza.


                Era uma vez um país
                onde o pão era contado
                onde quem tinha a raiz
                tinha o fruto arrecadado
                onde quem tinha o dinheiro
                tinha o operário algemado
                onde suava o ceifeiro
                que dormia com o gado
                onde tossia o mineiro
                em Aljustrel ajustado
                onde morria primeiro
                quem nascia desgraçado.


                Era uma vez um país
                de tal maneira explorado
                pelos consórcios fabris
                pelo mando acumulado
                pelas ideias nazis
                pelo dinheiro estragado
                pelo dobrar da cerviz
                pelo trabalho amarrado
                que até hoje já se diz
                que nos tempos do passado
                se chamava esse país
                Portugal suicidado.


                Ali nas vinhas sobredos
                vales socalcos searas
                serras atalhos veredas
                lezírias e praias claras
                vivia um povo tão pobre
                que partia para a guerra
                para encher quem estava podre
                de comer a sua terra.


                Um povo que era levado
                para Angola nos porões
                um povo que era tratado
                como a arma dos patrões
                um povo que era obrigado
                a matar por suas mãos
                sem saber que um bom soldado
                nunca fere os seus irmãos.


                José Carlos Ary dos Santos






Sexta-feira, Março 25, 2005

6ªf Santa




DALI, Cristo de San Juan de la Cruz




Escutando Verdi

Requiem




Sábado, Fevereiro 12, 2005

Arthur Miller (1905-2005)



Arthur Miller em 1956, foto de Sam Falk




Arthur Miller deixou-nos ontem.
Aqui fica a minha homenagem ao autor de 'A morte de um caixeiro viajante'.



Domingo, Janeiro 30, 2005

Gandhi



Mahatma Gandhi
Indian Spiritual/Political
Leader and Humanitarian

1869 - 1948

(foi assassinado no dia 30 de Janeiro de 1948)

"Generations to come will scarce believe that such
a one as this walked the earth in flesh and blood
."

—Albert Einstein about Gandhi

Quinta-feira, Janeiro 27, 2005

Nos 60 anos da sua libertação


Auschwitz






Em 27 de Janeiro de 1945, às 5 da manhã, o Exército Vermelho soviético entrou no campo da morte nazi de Auschwitz, lugar do extermínio de mais de um milhão de pessoas. Hoje, quando passam 60 anos, assinalar a data assume uma dimensão muito mais vasta que aniversários anteriores. Quando o racismo cresce na Europa, a destruição dos judeus convida à reflexão sobre o mal nas sociedades contemporâneas.

in jornal 'O Público'de 27.01.2005




Domingo, Janeiro 09, 2005

Joan Baez





I'M WITH YOU
(Written by Joan Baez, Wally Wilson, Kenny Greenberg, Pat Bunch)

So it's time to set you free
Watch you sail away from me
Though I'll miss you when you do
I'm with you

Turn your face into the wind
Let your greatest dreams begin
Take the high road, win or lose
I'm with you

I was there in the morning light
With a love that would last
And I'll be there on your darkest night
When the sun's long gone and your heart is sinking fast

When you stumble, when you fall
When they back you to the wall
After all the rest are through
I'm with you

So it's time to set you free
Let you sail away from me
I've done all that I can do
I'm with you

Take the high road, win or lose
I'm with you



Joan Baez completa hoje 63 anos.




Sexta-feira, Dezembro 31, 2004

2005




Tenham um bom ano





Terça-feira, Dezembro 28, 2004

Sudoeste Asiático

Não resisti a trazer para aqui este texto de José Luís Peixoto, publicado hoje em 'A Capital':



"Sofá


Ela passou todo o dia sentada no sofá. Quando se sentiu cansada, deixou que o corpo deslizasse lentamente e deitou-se, pousando a cabeça numa almofada que tinha colocado sobre o braço do sofá. Noutros dias, ligava o aquecedor, apontava-o para o sofá e ficava a tricotar, como se utilizasse as pontas das agulhas para escrever as pequenas conversas que tinha consigo própria, ou, então, segurava o arco do ponto cruz e ouvia os programas de televisão que lhe iluminavam o rosto concentrado nos bordados. Noutros dias, levava a sério o enredo de todas as telenovelas, torcia as sobrancelhas, e, apenas se levantava, na hora certa de almoçar, de jantar ou na hora imprevisível de comer qualquer coisa a meio da tarde. Hoje, as agulhas, as malhas e as botinhas que começou a tricotar para o filho da sobrinha ficaram no saco onde guarda tudo quando, à noite, tira a linha que lhe passa por detrás do pescoço. O arco com o pano onde tem o desenho de uma árvore quase acabada de bordar ficou também guardado. Hoje, não reparou nas telenovelas. Desde que se sentou, ficou todo o dia com o olhar fixo na televisão. Hoje, o seu rosto parado já foi, muitas vezes, igual ao de uma estátua triste. Teve o som da televisão sempre baixinho. Sombras das imagens do ecrã deslizaram-lhe pelo rosto completamente imóvel. A pele serena. Os olhos abertos como túneis a atravessarem o tempo, como qualquer coisa grande e terrível. E, ao longo do dia, em momentos da tarde, houve lágrimas que lhe escorreram rectas sobre a pele do rosto de cada vez que, na televisão, apareciam notícias do sudeste asiático. "




Segunda-feira, Dezembro 20, 2004

Alexandre O'Neil



Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca


Alexandre O'Neil nasceu a 19 de Dezembro de 1924.




Terça-feira, Novembro 30, 2004

Fernando Pessoa

«Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.»


Alberto Caeiro




O Menino da sua Mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
– Duas, de lado a lado –,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
É boa a cigarreira,
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.

1926

Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa, Lello & Irmão, 1986.




Antonio de Oliveira Salazar.
Trez nomes em sequencia regular...
Antonio é Antonio.
Oliveira é uma arvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.


29-03-1935
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Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A agua dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
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Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...

Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
Mas ninguém sabe porquê.

Mas, enfim, é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé:
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.


29-03-1935

Edição Crítica de Fernando Pessoa - Volume I, Tomo V.,Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2000.


A 29 de Novembro escreveu a sua última frase, a lápis e em inglês: «I know not what tomorrow will bring».




A 30 de Novembro, às 20 horas, segundo um testemunho, pediu os óculos, para ver melhor. Morreu às 20 horas e 30 minutos.



Quinta-feira, Novembro 11, 2004

Morreu Arafat



Às 3:45h (hora de Paris), e depois de grandes negociações sobre o local onde iria ser enterrado, foi finalmente anunciada, em Paris, a morte deste grande lutador.





Na faixa de Gazza, as mulheres choram a morte de Arafat.





Os homens também choram a perda do líder.





A chegada do féretro ao Egipto, onde serão feitas as cerimónias fúnebres.





As homenagens de pesar que se seguiram foram muito variadas.









Terça-feira, Novembro 09, 2004

Foi há quinze anos...


... em Berlim




e a esperança, na construção de um mundo livre, fraterno e mais justo, aumentou. Seria por pouco tempo...



Sábado, Novembro 06, 2004

Yasser Arafat



Até a sua morte é preciso ser negociada...



Sexta-feira, Outubro 15, 2004

Sim, eu sei que tudo são recordações...

Nesta breve resenha sobre a censura, em Portugal, pretendo que todos os que por aqui passem se detenham uns momentos a reflectir sobre este facto.




A caricatura foi, no 'Sempre Fixe', uma potente arma de arremesso contra a «CENSURA».





O famigerado lápis «azul». Mais abaixo podemos observar as suas marcas.




Os carimbos. Mais um tipo de objectos de culto dos insaciáveis censores.




Todos os jornais ou manifestos públicos, programas de teatro ou cinema lá tinham o dístico: «Visado pela Censura»




Este é um símbolo da apreensão de livros. Como se pode verificar com a maior desfaçatez se retirava um livro de uma livraria. Esta é sem dúvida um das acções que mais contribuiu para o reforço do medo. Era simplesmente terrível!




O 'Notícias da Amadora' foi um dos mais perseguidos jornais regionais.




'A Capital' foi um vespertino já meio liberal que também afrontou o poder.




Mais um ataque ao 'Notícias da Amadora'. Repare-se na data.




Esta foi uma notícia completamente cortada do 'Jornal de Notícias'. O mais interessante neste recorte é a data - 23.04.1974. Na véspera da revolução. Passados 2/3 dias nós convencemo-nos que ela tinha acabado.


PS- Este post tem continuação.



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